| ELEIÇÕES 2008 Das 35 vagas em Goiânia, 19 vão para novatos. Isso inclui gente
que volta e até herdeiros políticos
Almiro Marcos
Numa análise fria dos números, a Câmara de Goiânia teve
renovação de 54,2%. Dos 35 vereadores que assumem o mandato em 2009, 19 são
novatos. Dos 31 atuais vereadores que tentaram a reeleição, 16 conseguiram
garantir mais quatro anos e 15 foram rejeitados pelas urnas. Dos reeleitos, dez votaram a
favor da aprovação dos 13º, 14º e 15º salários, inclusive o candidato mais votado,
Bruno Peixoto, do PMDB (ver detalhes nesta edição).
A renovação de mais da metade da Câmara traz certas
particularidades. A primeira é o retorno de alguns personagens experimentados da
política. Os já conhecidos Iram Saraiva (ex-vereador, deputado estadual, deputado
federal e senador), do PMDB, Fábio Tokarski (ex-vereador e deputado estadual) e Alfredo
Bambu (ex-vereador) ocupam de novo cadeiras na Câmara.
Outros novatos não chegaram a ocupar mandatos, mas já são
figurinhas carimbadas em eleições. É o caso do surpreendente e folclórico gari Negro
Jobs (José Batista da Silva), do PSL, que participou de quatro eleições para vereador e
outras tantas para deputado. Os demais persistentes são Célia Valadão (PMDB),
Joãozinho Ferreira (PRB), Tiãozinho Mendes (PR), Paulinho Graus (PDT) e Richard Nixon
(PRTB).
DNA
Outro fenômeno destas eleições é o que pode ser chamado de hereditariedade eleitoral.
A Câmara reelegeu os herdeiros Virmondes Cruvinel Filho (PSDC) que é filho dos
ex-parlamentares Virmondes Cruvinel e Rose Cruvinel e Pedro Azulão Júnior (PSB),
ou Pedro Azulinho, que na verdade se chama Anderson filho do ex-vereador Pedro
Azulão.
Outros novatos também trazem no sangue o DNA político. É o
caso de Tatiana Lemos, do PDT, que foi a quarta mais votada, filha do casal Euler Ivo
(vereador) e Isaura Lemos (deputada). O vereador, inclusive, abriu mão de tentar o seu
sexto mandato para ceder a vaga para a herdeira.
Outros exemplos de filhos de peixe são Daniel Vilela (PMDB),
filho do ex-senador e ex-governador Maguito Vilela (PMDB), agora eleito prefeito de
Aparecida de Goiânia, e Henrique Arantes (PTB), filho do deputado federal Jovair Arantes.
Também não deixa de ser um negócio de família o que
ocorreu com o médico evangélico Gian Oliveira (PTC), que estreou na política este ano
para ser o sétimo mais votado. Como abonadores de sua candidatura estão o ex-vereador
Fábio Sousa (hoje deputado pelo PSDB) e o pastor César Augusto. Fábio é cunhado de
Gian e César é sogro.
Qual jogo?
Um caso à parte foi o do jogador de futebol Túlio Humberto Costa (PMDB), que prefere a
alcunha de Maravilha. Terceiro mais votado, ainda é uma incógnita saber como ele, um
jogador em atividade e que diz correr atrás do milésimo gol, irá fazer para combinar o
trabalho parlamentar com as pelejas futebolísticas.
Divisão
O PMDB, que teve desempenho apenas intermediário nas eleições passadas, quase
quadruplicou as vagas em 2008. O partido do prefeito Iris Rezende saiu de 3 para 11
vereadores. Por outro lado, as grandes decepções foram o PSDB e o PT. Em 2004 foram 8
tucanos eleitos, número que caiu para 3 nestas eleições.
Com relação aos petistas, em 2004 foram 5 cadeiras
garantidas na Câmara e em 2008 o número foi reduzido para apenas 2. O partido do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou no mesmo nível de siglas medianas como o PR
(2 vagas), PDT (2), PRTB (2) e o novato PRB (2). O PPS foi outro que perdeu espaço, saiu
de 2 vagas para nenhuma.
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