Goiânia, 7 de outubro de 2008

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ELEIÇÕES 2008

Das 35 vagas em Goiânia, 19 vão para “novatos”. Isso inclui gente que volta e até herdeiros políticos

Almiro Marcos

Numa análise fria dos números, a Câmara de Goiânia teve renovação de 54,2%. Dos 35 vereadores que assumem o mandato em 2009, 19 são “novatos”. Dos 31 atuais vereadores que tentaram a reeleição, 16 conseguiram garantir mais quatro anos e 15 foram rejeitados pelas urnas. Dos reeleitos, dez votaram a favor da aprovação dos 13º, 14º e 15º salários, inclusive o candidato mais votado, Bruno Peixoto, do PMDB (ver detalhes nesta edição).

A renovação de mais da metade da Câmara traz certas particularidades. A primeira é o retorno de alguns personagens experimentados da política. Os já conhecidos Iram Saraiva (ex-vereador, deputado estadual, deputado federal e senador), do PMDB, Fábio Tokarski (ex-vereador e deputado estadual) e Alfredo Bambu (ex-vereador) ocupam de novo cadeiras na Câmara.

Outros novatos não chegaram a ocupar mandatos, mas já são figurinhas carimbadas em eleições. É o caso do surpreendente e folclórico gari Negro Jobs (José Batista da Silva), do PSL, que participou de quatro eleições para vereador e outras tantas para deputado. Os demais persistentes são Célia Valadão (PMDB), Joãozinho Ferreira (PRB), Tiãozinho Mendes (PR), Paulinho Graus (PDT) e Richard Nixon (PRTB).

DNA
Outro fenômeno destas eleições é o que pode ser chamado de hereditariedade eleitoral. A Câmara reelegeu os herdeiros Virmondes Cruvinel Filho (PSDC) – que é filho dos ex-parlamentares Virmondes Cruvinel e Rose Cruvinel – e Pedro Azulão Júnior (PSB), ou Pedro Azulinho, que na verdade se chama Anderson – filho do ex-vereador Pedro Azulão.

Outros novatos também trazem no sangue o DNA político. É o caso de Tatiana Lemos, do PDT, que foi a quarta mais votada, filha do casal Euler Ivo (vereador) e Isaura Lemos (deputada). O vereador, inclusive, abriu mão de tentar o seu sexto mandato para ceder a vaga para a herdeira.

Outros exemplos de filhos de peixe são Daniel Vilela (PMDB), filho do ex-senador e ex-governador Maguito Vilela (PMDB), agora eleito prefeito de Aparecida de Goiânia, e Henrique Arantes (PTB), filho do deputado federal Jovair Arantes.

Também não deixa de ser um negócio de família o que ocorreu com o médico evangélico Gian Oliveira (PTC), que estreou na política este ano para ser o sétimo mais votado. Como abonadores de sua candidatura estão o ex-vereador Fábio Sousa (hoje deputado pelo PSDB) e o pastor César Augusto. Fábio é cunhado de Gian e César é sogro.

Qual jogo?
Um caso à parte foi o do jogador de futebol Túlio Humberto Costa (PMDB), que prefere a alcunha de Maravilha. Terceiro mais votado, ainda é uma incógnita saber como ele, um jogador em atividade e que diz correr atrás do milésimo gol, irá fazer para combinar o trabalho parlamentar com as pelejas futebolísticas.

Divisão
O PMDB, que teve desempenho apenas intermediário nas eleições passadas, quase quadruplicou as vagas em 2008. O partido do prefeito Iris Rezende saiu de 3 para 11 vereadores. Por outro lado, as grandes decepções foram o PSDB e o PT. Em 2004 foram 8 tucanos eleitos, número que caiu para 3 nestas eleições.

Com relação aos petistas, em 2004 foram 5 cadeiras garantidas na Câmara e em 2008 o número foi reduzido para apenas 2. O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou no mesmo nível de siglas medianas como o PR (2 vagas), PDT (2), PRTB (2) e o novato PRB (2). O PPS foi outro que perdeu espaço, saiu de 2 vagas para nenhuma.

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